Meu irmão se transformou em um mendigo depois de usar crack. Vive nas ruas do centro de Porto Alegre comendo lixo, dormindo debaixo de marquises, praticando furtos e apanhando. Meus pais tiveram de deixar o que restou da casa deles e ir embora. Mas mesmo assim, a mãe, com seus 83 anos de idade, não desistiu dele. Continua indo todas as semanas ao Fórum e à Cruz Vermelha para tentar interná-lo, mesmo sabendo que ele foge dos hospitais. Ela não desiste dele.
"A ficha caiu quando sofri um acidente de carro. Estava virada, sem dormir, fazia quatro dias. Peguei o carro para ir comprar crack, mas não andei nem 100 metros e sofri um apagão. Dormi ao volante. Fiquei cinqüenta dias com os dois braços enfaixados e o rosto cheio de feridas por causa dos estilhaços do vidro. Já havia sido internada algumas vezes, mas sempre soube que voltaria à droga. Fazia meus pais pagar minhas dívidas dizendo que, do contrário, seria morta pelos traficantes. Em troca, eu ficava um tempo na clínica de recuperação. De uma delas, fugi pulando o portão. Com o acidente, percebi que tinha de me livrar daquilo. Agora estudo, luto para recuperar a guarda dos meus filhos e quero montar um grupo de apoio só para mulheres dependentes. Elas precisam perder o medo de procurar ajuda."
M., 31 anos, estudante de psicologia de São Paulo, livre do crack desde 2005


| Desenvolvido Por ©2009 GravataÃcomércio S/A ® Todos os direitos reservados |